Presença Portuguesa em Marrocos

A presença portuguesa em Marrocos fez-se notar principalmente na costa Atlântica. Mas também em inúmeras zonas de montanha (onde existem imensas torres de vigia) e no deserto. Existem mesmo algumas plantações de palmeirais e aldeias espalhadas pelo sul. E os portugueses estiveram igualmente na zona da aldeia de Goulmima.

A presença de Portugal em Marrocos começou em 1458 com a conquista de Alcácer-Ceguer, pequena vila do litoral mediterrânico marroquino entre Tânger e Ceuta. Viria a acabar em 1769 com a retirada de Mazagão, a presente cidade de Essaouira. Foram, então, 3 séculos de presença Lusa em território marroquino.

É super interessante visitar estes locais e assim sentir um pouco de Portugal em Marrocos, algo que produz um efeito muito exótico. Hoje em dia, estes vestígios estão totalmente integrados na vida marroquina.

A presença portuguesa é de extrema importância cultural para o património marroquino. Prova disso é que as cidades de El Jadida (Mazagão) e de Essaouira (Mogador) são consideradas Património Mundial pela UNESCO.

Além de todos os locais que descrevo abaixo, há ainda vestígios portugueses em vários borjes (torres de vigília) espalhados pela zona de Errachidia e Ouarzazate, assim como vestígios de construções ou ruínas em Larache (fortificações da Graciosa), Agadir (Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué, erguida em 1505 pelo comerciante português Diogo Lopes de Sequeira e vendida ao Rei D. Manuel I em 1513), Meças e ainda no Cabo Bojador.

Já estive em todos estes lugares e investiguei informação sobre eles. Espero que aprecie estes resumos e que fique cheio de vontade de conhecer este legado histórico de Portugal em Marrocos, tão interessante e representante de uma época

Mapa da Presença Portuguesa em Marrocos

Portugal em Marrocos, Presença portuguesa em Marrocos

A Batalha de Alcácer-Quibir e o Rei D. Sebastião

Quem nunca ouviu falar desta batalha? Quem nunca ouviu falar do desaparecimento do querido D. Sebastião?

O local onde se realizou esta batalha é, precisamente, em Marrocos, junto à cidade de Ksar el-Kebir, a Sudoeste de Arzila e Larache. Não há nada para ver a não ser o campo e uma pedra recriando a lenda que diz que D. Sebastião aí se encostou antes de morrer pelas mãos inimigas.

Alcácer-Quibir constituiu a base principal dos ataques que os marroquinos desferiram contra esta praça e contra Tânger. O exército português terá desembarcado em Marrocos em 1578 mas sofreu uma horrível derrota às mãos do sultão Ahmed Mohammed de Fes.

O Rei D. Sebastião tornou-se numa lenda. O grande patriota português. O “rei dormente” ou um Messias que iria regressar para ajudar Portugal nas suas horas mais sombrias, uma imagem semelhante à que o Rei Artur tem em Inglaterra ou Frederico Barbarossa na Alemanha. 🙂

Quem decidir visitar esta zona de Marrocos, aproveite para conhecer também a escondida aldeia de M’soura, onde estão enormes monólitos. A aldeia em si é muito bonita e tem imensas pedras pré-históricas.

Arzila – Asilah – أصيلة

Esta cidade no norte de Marrocos tem uma simpática cidade murada virada para o mar. Pertenceu a Portugal entre 1471 e 1550 e, novamente, entre 1577 e 1589. Na primeira ocasião, foi conquistada pelo rei D. Afonso V com uma armada de 477 navios e 30 mil homens a 24 de Agosto de 1471.

A cidade é muito bonita, com as muralhas e as ruelas cheias de pinturas nas paredes. Ainda hoje se encontra o brasão de armas de Portugal, por cima da Porta da Terra. A presença portuguesa está fortemente marcada em diversas partes.

  • Torre de menagem – estrutura central de um castelo medieval. Nos castelos portugueses a torre de menagem é mais alta de todas as torres, permitindo uma visão ampla da zona à volta do castelo.
  • Baluartes – obras defensivas (normalmente pentagonais) situadas nas esquinas e avançadas em relação à estrutura principal de uma fortificação.
  • Fosso – escavação profunda feita para impedir ou dificultar a entrada do inimigo.
  • Muralhas – “muros” defensivos altos.

Tânger – Tanger – طنجة

Tangêr é uma grande cidade portuária no norte de Marrocos. É por aqui a entrada mais fácil em Marrocos, vindo no barco ferry-boat desde a cidade espanhola de Tarifa.

A cidade oferece uma interessante caminhada de um par de horas pela parte antiga e zona murada. Mais do que isto não vale a pena. Um passeio pela cidade dá para reparar na série de influências europeias na arquitectura, principalmente o estilo andalus espanhol.

A presença portuguesa está fortemente marcada nas muralhas no interior da zona antiga. Foi D. João I que a conquistou, em 1415. A cidade permaneceu em mãos portuguesas até 1661, altura em que, no tratado de paz e amizade com a Grã-Bretanha, a mão da princesa Catarina de Bragança, filha de D. João IV, foi cedida em casamento ao rei Carlos II de Inglaterra. No seu dote estavam incluídas as cidades de Tânger e de Bombaim.

Alcácer-Ceguer – Al-qsar As-Seghir – القصر الصغير

Como parte da política de expansão ultramarina portuguesa, Alcácer-Ceguer foi assaltada e conquistada por uma frota de 220 embarcações e um exército de 25 mil homens sob o comando de D. Afonso V, “O Africano”, após dois dias de combate, em 23 e 24 de Outubro de 1458.

A fortaleza portuguesa está um pouco já em ruínas, mas é muito bonita de se ver pois está mesmo na praia, na areia.

A presença portuguesa está fortemente marcada na fortaleza, especialmente na couraça (muralha que protegia o acesso à água) e respetiva porta, bem como no que restou do casario interior.

Mazagão – El Jadida – الجديدة

El Jadida é hoje uma cidade moderna. Mas a antiga cidade portuguesa de Mazagão, na zona antiga, junto ao mar, é um local muito bonito para se visitar em Marrocos.

Incluída na lista da UNESCO para Património Mundial, El Jadida proporciona uma visita muito agradável pela cisterna, muralhas e as 2 igrejas.

Mazagão foi fundada em 1513 e constituiu um importante entreposto comercial português no Norte de África. Em 1769, o Marquês de Pombal decidiu que toda a cidade seria transferida para a Amazónia, no Brasil.

Assim, a fortificação foi abandonada e arrasada, tendo os seus habitantes partido para a América do Sul, onde fundaram a vila de Nova Mazagão. O abandono de Mazagão marcou o fim da presença portuguesa no Norte de África.

Em El Jadida, Portugal está fortemente representado na praça-forte; casario e ruas interiores; cisterna; igrejas de Nª Srª da Assunção e Nª Srª da Luz; Palácio da Inquisição.

Azamor – Azemmour – أزمور‎

Azamor é uma cidade na margem do rio Morbeia, dez quilómetros a sul de El Jadida. Embora fosse dependente do rei de Fes, os habitantes de Azamor pediram a proteção do rei D. João II. A cidade é pacata e tem umas muralhas muito bonitas ao longo do rio que desagua no Atlântico.

Diogo de Arruda (um dos arquitetos responsáveis pelo Convento de Cristo, em Tomar) e Francisco de Arruda (arquiteto responsável pelo traçado da Torre de Belém, em Lisboa) deixaram o que é considerado como a sua obra mais marcante no Norte de África aqui na cidade de Azamour: dois baluartes curvilíneos, o de “São Cristóvão”, anexo ao Palácio dos Capitães como uma torre de menagem compacta; e o do “Raio”, no extremo da fortaleza, decorado por quarenta bandeiras e com espaço para mais de sessenta peças de artilharia fazerem fogo, simultaneamente, em todas as direções.

Azamor foi abandonada em 1541 por ordem de D. João III, após a queda da Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué, em Agadir. A presença portuguesa está fortemente marcada nas muralhas, casario e ruas interiores (elementos manuelinos).

Mogador – Essaouira – الصويرة‎

Diogo de Azambuja construiu, em 1506, um forte de estilo manuelino chamado de Castelo Real de Mogador, hoje a vibrante cidade marroquina de Essaouira.

A importância desta cidade deu-se principalmente porque a baía de Essaouira está parcialmente abrigada pela Ilha de Mogador, tornando-se assim num porto calmo e protegido dos ventos marítimos.

Essaouira é hoje um excelente destino em Marrocos, mistura uma cultura musical muito forte com arquitetura fascinante e uma costa com praia.

Essaouira é, juntamente com Dakhla, (1420km mais a sul), um dos melhores destinos para windsurf e kitesurf em Marrocos, havendo mesmo uma série de escolas e academias para aprender estes desportos. Em 2001, Essaouira foi incluída na lista de Património Mundial da UNESCO.

A presença portuguesa está fortemente marcada nas muralhas e baluartes ainda com peças de artilharia portuguesas, na primitiva igreja e nas fortificações da pequena ilha de Mogador.

Safim – Safi – آسفي‎

Safi é uma cidade cheia de encanto na costa marroquina e o principal produtor da indústria da sardinha em Marrocos. Esteve sobre controlo português desde 1508 até 1541, conquistada por Diogo de Azambuja.

Existia um complexo defensivo com cerca de três quilómetros de muralhas envolvendo a cidade. No Castelo do Mar, erguido em 1512, encontram-se ainda trinta peças de artilharia, algumas das quais portuguesas.

Destacam-se ainda os vestígios da antiga catedral, convertida numa mesquita a certa altura mas atualmente um museu. A presença portuguesa está fortemente marcada nas muralhas, no casario, nas ruas interiores e no Castelo da Terra (com elementos manuelinos).

Aguz – Souira Guedima – الصويرة القديمة

Aguz (36km a sul de Safi) teve uma fortificação portuguesa entre 1508 e 1541 chamada Castelo de Aguz. Hoje, a fortaleza está em razoável estado de conservação.

26 comentários a “Presença Portuguesa em Marrocos”

  1. Para a consuista de Ceuta há também uma razâo histórica que escapa aos historiadores. Ceuta pertenceu ao Reino Suevo com capital em Braga e, por tanto, era considerada uma cidade a recuperar para a cristandade, porque a ela pertencia desde tempos remotos.

  2. boa tarde ,tenham cuidado em jedida hà um site que diz o seguinte ,méga filme regarder ,gratis, é um troyano,vindo de jedida fico triste pois nâo supunha que houvesse gente desta làia nesta cidade, e muito menos em marrocos,mas que fazer aonde nâo hà lei, nem comprensâo,até sempre francisco pedrais bilro do alentejo antiga mouraria,

  3. bom dia a todos ,aviso especial,tenham cuidado com um site em gedida que diz mégafilmeregardergràtis é um cavalotroyano ,como véem vindo d,uma cidade que adoramos ,parece mentira,em todos os povos hà gente desta làia,incapazes invejosos ,,,até sempre francisco pedrais bilro

  4. ola amigos, eu sou marroquino, apreendo portugues, obrigados por as informacaos, eu gosto da cultura portuguesa. o povo marroquino e o povo portugues tem una historia comum.

    1. Olá Jamila. As consequências internacionais foram enormes. Com a morte do rei português, a coroa portuguesa acabou por ir parar ao rei de Espanha, o que significou a junção de duas das maiores potências marítimas da época. Indirectamente, isto levou a coisas muito maiores, já que alterou radicalmente o sistema de alianças da época. A grande disputa estratégica das décadas seguintes é entre o Império Espanhol – a maior potência da época – e a Inglaterra, que ganhou o “duelo”. Ora, durante muito tempo, a Inglaterra tinha sido aliada de Portugal, mas, com a junção entre Portugal e Espanha, passou a adversária de Portugal. Além disso, nessa época os holandeses eram os grandes responsáveis pela distribuição pela Europa central, das mercadorias que os portugueses traziam do Oriente. Ora a Holanda fazia parte do Império espanhol, mas rebelou-se. Uma vez que, com a junção entre Portugal e Espanha, isso significou que os portos portugueses se fecharam aos holandeses, eles decidiram ir buscar as especiarias à origem. Ou seja, com a junção com Espanha, Portugal ganhou dois inimigos navais muito poderosos que, para todos os efeitos, acabaram com o Império português no Oriente. Isto não é só importante para os portugueses! Por um lado, mudou toda a história do Oriente. Por outro, foi um factor importante na transferência do centro do poder na Europa, do Sul para o Norte – onde se mantém até hoje. Em última análise, se para Marrocos foi bom ter ganho a batalha, desconfio de que acabou por ser um mau negócio matar o rei de Portugal – ajudou a tirar ao Mediterrâneo a importância que tinha tido até aí.

  5. Olá João Leitão.
    Conforme compromisso anterior, em que fiquei de fazer alguma pesquisa histórica, aqui vão umas achegas ao tema, que colhi na “História de Portugal” de Oliveira Martins, “História Concisa de Portugal” de José Hermano Saraiva e “História de Mazagão” de Augusto Ferreira do Amaral.
    Opto por escrever em prosa livre, aproveitando o que ali obtive, misturando os autores, da maneira que me parece mais esclarecedora, mas não resisto a fazer umas poucas citações, que me parecem deliciosas. A tudo isto juntei algumas coisas de conhecimento próprio, obtido em várias viagens a Marrocos e em leitura diversa.
    Entretanto, permita-me elogiar o excelente trabalho que realizou, que li com muito agrado.

    ALGUNS ELEMENTOS SOBRE A PRESENÇA DE PORTUGAL EM MARROCOS

    Portugal ocupou militarmente zonas que hoje são parte do reino de Marrocos entre 1415 e 1769, um longo período de 354 anos, de guerra constante, já que a presença portuguesa nunca foi aceite.

    Cinco anos depois do abandono do ultimo baluarte, Mazagão, os reinos de Portugal e de Marrocos assinaram um tratado de paz coroado de êxito, já que daí para cá nunca mais houve hostilidades entre os dois países, sendo que as relações esfriaram bastante durante a guerra que Portugal manteve nas suas antigas colónias, entre 1961 e 1974, devido ao apoio que Marrocos prestou aos movimentos que se nos opunham.

    Foi no tempo de D. João I, em 1415, que Portugal se lançou à conquista de Ceuta, utilizando 19.000 soldados, 1700 marinheiros e cerca de 200 navios.

    Em 1437 organizou-se nova expedição, que pretendia conquistar as cidades de Tanger e Arzila, que acabou em desastre militar. Para que as forças portuguesas fossem autorizadas a reembarcar aceitaram o compromisso de devolver Ceuta, ficando o príncipe D. Fernando como refém. Como se sabe, os portugueses não cumpriram a sua palavra, e D. Fernando acabou por morrer no cativeiro, em Fez.

    Em 1458 conquistou-se a praça de Alcácer Ceguer, sensivelmente a meio caminho entre Ceuta e Tanger.

    Em 1453, nova tentativa de conquista de Tanger, sem êxito.

    Já em 1471 tomou-se a praça de Arzila. Os habitantes de Tanger viram-se encurralados pelos portugueses, entre Arzila e Alcácer Ceguer, tendo optado por abandonar a praça, que acabou assim por ser tomada sem combates.

    Passados uns anos, em 1515, organizaram-se expedições que pretendiam construir fortalezas na zona de Casablanca, em locais referidos como “Mamora e Anafe”. Foi um desastre, em que tudo se perdeu, perante o ataque dos locais.

    Nos anos seguintes os portugueses vieram a instalar-se mais para sul, em Azamor, Mazagão (El Jadida), Safi, Aguz (Souira Kédima), Mogador (Essauira) e Santa Cruz do Cabo de Gué (arredores de Agadir). Foi este o ponto culminante da nossa presença, que não se pôde manter, já que em 1541 esta ultima praça perdeu-se num combate em que os portugueses foram chacinados, e logo no ano seguinte se abandonou Safi. A decadência prosseguiu com a nossa saída de Arzila em 1549 e de Alcácer Ceguer em 1550. Já em 1525 os marroquinos tinham recuperado Mogador.

    Para além de derrotas militares, razões de ordem financeira estiveram na base de vários abandonos, nomeadamente Safi e Azamor, sendo que nesta época os recursos militares e económicos portugueses já se tinham virado para outras bandas, o oriente, e tais recursos foram sempre escassos.

    O historiador Oliveira Martins descreve esta ocupação da seguinte forma: “uma série de praças-fortes, escola de soldados, fonte de permanentes conflitos, estéril em proventos, pasto para a vã necessidade batalhadora da nação….precipício aberto, que ia tragando, improfícua e ingloriamente, muitas forças vivas do país”.

    E prossegue: “ as campanhas de África eram uma série de empresas quixotescas, que viriam a terminar pela doidice varrida de D. Sebastião”.

    De outro autor colhi “ a Berbéria não era presa fácil para ninguém. Embora enfraquecida, débil na navegação e na guerra marítima, pobre e de tecnologia militar inferior, tinha forças que bastaram, ao longo dos séculos, para conter os intrusos e para os constranger a viver no cheiro da maresia.”

    Efectivamente a ocupação portuguesa consistia na presença em fortalezas junto á costa, com domínio exclusivo do que estava à vista, e sempre com ligações por mar. Todas as tentativas para ocupar o interior redundaram em derrotas.

    Para além do famoso desastre de Alcácer Quibir outros houve, como em 1515, quando um exército português de 3.000 homens tentou atacar Marraquexe.

    Também os espanhóis tentaram a conquista, a partir da costa mediterrânea marroquina, e não conseguiram avançar.

    Na sequência do desastre militar de Alcácer Quibir, Portugal veio a perder a independência, até 1640. As fortalezas portuguesas espalhadas pelo mundo, com comandantes portugueses, aderiram à restauração, o que nos permitiu conservar as praças de Tanger e Mazagão. Em Ceuta, o comandante era um espanhol, e assim perdemos a cidade, que curiosamente ainda hoje tem o escudo português, o das quinas e castelos, na bandeira da cidade.

    Tanger foi pouco depois doada aos ingleses, como parte do dote de uma princesa portuguesa, a troco de apoio político e militar.

    Sobrou Mazagão, a actual El Jadida, uma fortaleza poderosa, que se aguentou até ao tempo do Marquês de Pombal, mas que já não fazia grande sentido, dado que o sonho de conquista de Marrocos tinha terminado à muito. Acabou por ser evacuada durante um cerco, e armadilhada. Quando os marroquinos entraram na praça accionaram as armadilhas, morrendo muitos, o que motivou que durante muitos anos não voltassem a entrar no local. Os portugueses foram levados para a Amazónia, a fim de ali se fixarem numa povoação a que chamaram Nova Mazagão.

    Quanto às razões que levaram Portugal a lançar-se na tentativa de conquista, os autores enumeram várias, sendo que as coloco de forma arbitrária, e não necessariamente por ordem de importância:

    Quando da conquista de Ceuta, ainda os mouros estavam instalados na Espanha, em Córdoba, e os países peninsulares consideravam-se em guerra com eles, incluindo Portugal. Assim, era legitimo levar a guerra à terra de onde eram originários, pretendendo-se punir a religião contrária e impor a cristandade através da catequese e conversão.

    Portugal estava no início do seu movimento expansionista, com pendor imperialista, e pretendia conquistar os reinos de Fez e Marraquexe.

    Ao instalar-se nas costas marroquinas, Portugal podia de forma mais eficaz proteger-se de ataques lançados a partir de lá, bem como proteger o tráfego marítimo e as costas portuguesas não só de exércitos hostis, mas também de corsários, muito numerosos na zona.

    Pretendia-se também obter lá trigo, ouro e escravos, o que nunca veio a suceder, já que os marroquinos alteraram as rotas comerciais para evitar os portugueses.

    Outros interesses mencionados são a abertura de oportunidades de promoção social, militar e financeira dos soldados, a pilhagem, o afastamento de Portugal dos seus cidadãos mais belicosos e a utilização das praças africanas como locais de degredo.

    Para além destas razões, hà quem defenda que a ocupação de praças de guerra no litoral marroquino fazia parte de uma estratégia mais ambiciosa……o cerco do islão.
    Efectivamente nesta época os portugueses dominavam a navegação no Indico, e houve planos para conquista do Egipto.
    A resultar, os portugueses atacariam de Marrocos para leste e do Egipto para oeste, pondo em causa o poder dos turcos, grande potência islâmica da época, que já tinham chegado à Argélia.
    Tudo isto com o apoio dos vários Papas da época, que sancionavam ou não as políticas, tudo numa óptica de cruzada, de guerra contra os muçulmanos.

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